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Mostrando postagens de Junho, 2009

Roçados

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Depois da queda da borracha os seringueiros que continuaram na floresta passaram a abrir áreas para cultivo de culturas de subsistência. Os roçados e as roças são geralmente de tamanho pequeno de uma a cinco tarefas, às vezes podem chegar a dois ou mais hectares. São feitos geralmente perto das casas, mas alguns podem ficar distantes até duas horas de caminhada na mata. As populações tradicionais de Xapuri, assim como colonos e ribeirinhos tem um calendário de atividades que segue os ciclos das águas. No início do verão, brocam as matas, depois derrubam ou limpam as capoeiras existentes. No auge do verão, em agosto e setembro, queimam e preparam o solo para o plantio que se dá no início das chuvas. Durante o resto do ano se dividem nas atividades extrativistas, a coleta de castanha no inverno, e a coleta de látex no verão, assim como às outras atividades, como o trato do roçado e também da criação, como relatam os seringueiros da Princesinha, que brocam uma determinada área de sua col…

Festa no Seringal Cachoeira

Mês de Junho é significado de festas típicas em diversos lugares brasileiros e, evidentemente, na cidade de Xapuri não poderia ser diferente. Com muita música, danças e bebidas típicas o povo guerreiro da Princesinha se diverte e encanta com sua peculiar cultura junina, regada ao toque da sanfona, triangulo, zabumba e o conhecido violão. No festivo mês tudo é motivo para comemoração, e foi o que aconteceu no reencontro da família Monteiro de Oliveira no Seringal Cachoeira em Xapuri, no Acre, que há mais de 50 anos estava vivendo no Ceará, longe de parte de seus familiares que hoje residem na Princesinha do Acre - cujo paradeiro fora localizado graças à moderna internet. Para comemorar, uma festa no Seringal Cachoeira, onde tocaram nomes famosos como Monteirinho, Miguel Mendes (primo de Chico Mendes), Dito e Carrilho, enquanto os pares - homem com mulher a até mulher com mulher, típico dos seringais - bailavam animadamente para registrar sua alegria, como em um rito surreal do povo ser…

Dona Vicência

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Dona Vicência Bezerra da Costa nasceu em Alto Santo, no interior do Ceará em 20 de fevereiro de 1929 e veio para o Acre em 1943. Viúva de Raimundo Girão da Costa, um cearense, cabra arretado de bom que chegou a tirar bons saldos na labuta das estradas de seringa. Mãe de Francisco, Getúlio, Maria de Lurdes e Maria das Graças. Quanto aos netos e bisnetos ela somente sabe que já passaram dos 40.

Dona Vicência, a experiente seringueira que montou o restaurante 'Tia Vicência' de comida caseira com sabor de seringal, em Xapuri, viveu quase 20 anos sem sair do seringal pois o marido, quando era preciso era quem ia fazer compras na cidade.

A mulher franzina e um pouco adoentada devido a idade avançada esconde a guerreira da borracha que passou anos e anos de sua vida pelas estradas de seringa, trabalhando com afinco tão grande e de dar inveja a muitos marmanjos.

Era seringueira na alma e no coração. Chegou mesmo a compor um hino aos soldados da borracha e a dar exemplo de que o seu trab…

Sibéria: do outro lado do rio

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O povoado Sibéria, constituído às margens do Rio Acre, foi assim denominado pelos seringueiros e seringalistas, que pertenciam ao Seringal Sibéria e que tinham a necessidade de um local para guardar seus animais e suas mercadorias enquanto resolviam seus negócios em Xapuri. Fizeram, então, por volta da primeira década do Século XX, à margem do Rio Acre, uma arrearia, espaço bastante grande, feita de madeira roliça e cobertas com palhas fechadas e outra parte de panos de paxiúba.
As terras pertenciam ao Sr. Armando Braga, que residia em Belém-PA, vindo nas suas terras uma vez por ano. Essas eram doadas aos seringueiros que, por motivos diferentes, ali chegavam à procura de moradia. Era através do Sr. Raimundo Soares Cavalcante na época gerente do Seringal Bosque - que as terras eram transferidas aos seringueiros.
Para fazer suas casas – de madeira roliça, fechadas de pano de paxiúba e cobertas com palha – os moradores deveriam obedecer algumas normas, como: após a residência construída,…

Hino do seringueiro

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Vamos dar valor ao seringueiro,Vamos dar valor a esta nação,Porque com trabalho deste povoÉ que se faz pneu de carro e pneu de avião.Fizeram a chinelinha, fizeram o chinelãoInventaram uma botina que a cobra não mordeNãoTantas coisas da borracha eu não sei explicar nãoEncontrei pedaço dela em panela de pressão.Não é com chifre de vaca que se apaga a letra nãoSão produtos fabricados feitos pelas nossas mãos.
Autor: popular
Foto:*Sr. Romildo Sales Campos Barbosa – de Thiago Nichele

O famoso leite da castanha

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O tempero mais apreciado pelos seringueiros é o famoso leite da castanha, extraído da castanha, ainda cultivada nos seringais. É considerado como substituto do óleo nos temperos das carnes de caça, dando um sabor diferenciado a elas, que posteriormente, com a saída de algumas famílias seringueiras para a cidade, foi absorvida pela maioria dos xapurienses.

A extração do leite da castanha inicia-se com a coleta, depois vem a quebra do ouriço para retirar a castanha, descascar, lavar, ralar, acrescentar água e peneirar, no intuito de que fique um leite grosso.

O jabuti tornou-se um prato tradicional na culinária acreana, bastante degustado no passado, quando encontrava-se esse animal em maior quantidade dentro da mata. O famoso jabuti ao leite da castanha já deve ter sido degustado por todos. Quem não degustou, certamente, já deve ter ouvido falar da iguaria por alguns parentes, avós, tios ou amigos próximos.

Uma particularidade de alguns moradores é o gosto pelas carnes com osso ao leite …